Atualizado em 23 de outubro de 2026

Não haverá Concurso Nacional Unificado (CNU) em 2026. A segunda edição, organizada pela FGV, teve 761.528 inscritos e 3.652 vagas em 32 órgãos, com resultado final homologado em março de 2026, nomeações autorizadas em abril e convocações de lista de espera ao longo do ano. Segundo a ministra da Gestão, Esther Dweck, a terceira edição deve ser discutida em 2027 para entrar no orçamento de 2028. Neste guia, explicamos a situação atual do CNU, o que aconteceu nas duas primeiras edições, como funciona o modelo e como se preparar desde já para o CNU 3.
Resumo rápido
- CNU 1 (2024): Cesgranrio, 6.640 vagas e mais de 2,1 milhões de inscritos.
- CNU 2 (2025/2026): FGV, 3.652 vagas (2.480 imediatas), 761.528 inscritos, 9 blocos temáticos.
- Resultado final do CNU 2 homologado em 16/03/2026; nomeações autorizadas em 22/04/2026.
- Editais de vagas adicionais e remanescentes seguiram em 2026.
- CNU 3: discussão em 2027, edição prevista para 2028, a depender do próximo governo.
O que é o Concurso Nacional Unificado
O Concurso Público Nacional Unificado, conhecido como CNU ou “Enem dos concursos”, é um modelo em que vários órgãos federais reúnem suas vagas em uma única seleção, com provas aplicadas no mesmo dia em centenas de cidades. O candidato paga uma inscrição, escolhe um bloco temático e, dentro dele, lista os cargos que deseja em ordem de preferência.
O modelo foi criado pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) com três objetivos principais:
- Democratizar o acesso: provas em todas as regiões evitam que o candidato precise viajar até Brasília.
- Reduzir custos: uma única estrutura de aplicação serve a dezenas de órgãos.
- Diversificar o serviço público: com cotas para pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência, além de mecanismos para ampliar a participação de mulheres.
Como foi o CNU 1 (2024)
A primeira edição teve edital publicado em 10 de janeiro de 2024, com organização da Fundação Cesgranrio. Foram 6.640 vagas imediatas e mais de 2,1 milhões de inscritos, número que fez do CNU 1 um dos maiores concursos da história do país. As provas foram adiadas por causa das enchentes no Rio Grande do Sul e aplicadas em agosto de 2024.
Os cargos foram organizados em oito blocos temáticos, de nível superior e intermediário. O governo prorrogou a validade do certame por mais 12 meses, o que permitiu novas convocações. Órgãos como a Previc seguiram nomeando aprovados mesmo depois da segunda edição.
Como foi o CNU 2 (2025/2026)
A segunda edição teve edital publicado pela Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) em 30 de junho de 2025, com execução da FGV Conhecimento. O edital foi retificado dez vezes, a última em janeiro de 2026.
Vagas e salários
Foram 3.652 vagas em 32 órgãos, sendo 2.480 de preenchimento imediato e 1.172 de provimento em curto prazo. No total, 3.144 vagas eram de nível superior e 508 de nível intermediário. Os salários iniciais variavam de R$ 4.804,89 a R$ 16.413,35. A maior concentração de vagas ficou no Centro-Oeste (1.012), seguida do Sudeste (820).
Os nove blocos temáticos
- Seguridade Social: Saúde, Assistência Social e Previdência Social
- Cultura e Educação
- Ciência, Dados e Tecnologia
- Engenharia e Arquitetura
- Administração
- Desenvolvimento Socioeconômico
- Justiça e Defesa
- Intermediário: Saúde
- Intermediário: Regulação
Etapas e números
A prova objetiva foi aplicada em 5 de outubro de 2025, em 228 municípios. Dos 761.528 inscritos, 324.971 faltaram, abstenção de 42,8%. O resultado saiu em 12 de novembro de 2025, com 42.499 candidatos classificados para a prova discursiva, aplicada em dezembro de 2025, quando a abstenção ficou em torno de 20%.
Depois vieram a avaliação de títulos, as verificações de autodeclaração e de deficiência e três rodadas de confirmação de interesse dos candidatos nos cargos. Para cargos da ANP e da Ancine, houve ainda uma segunda etapa, com fases específicas. O resultado definitivo da classificação final após essas fases foi publicado em julho de 2026.
Comparativo entre o CNU 1 e o CNU 2
| Item | CNU 1 | CNU 2 |
|---|---|---|
| Banca | Cesgranrio | FGV |
| Edital | Janeiro de 2024 | Junho de 2025 |
| Vagas imediatas | 6.640 | 2.480 (3.652 no total) |
| Inscritos | Mais de 2,1 milhões | 761.528 |
| Blocos temáticos | 8 | 9 |
| Prova objetiva | Agosto de 2024 | 5 de outubro de 2025 |
| Salários iniciais | Variados, nível médio e superior | R$ 4.804,89 a R$ 16.413,35 |
A queda no número de inscritos se explica, em parte, pela redução de vagas e pela taxa de inscrição. A troca de banca também mudou o perfil das questões: a FGV é conhecida por textos longos e cobrança de interpretação, enquanto a Cesgranrio tende a enunciados mais diretos.
Situação atual: nomeações e lista de espera
O resultado final do CNU 2 foi homologado em 16 de março de 2026 para os cargos sem segunda etapa. Em 27 de março, foi publicada a nota de corte para o banco de lista de espera, e o resultado foi retificado para incluir mais candidatos nessa lista. As convocações foram autorizadas em 22 de abril de 2026, com nomeações divulgadas a partir de abril.
Ao longo de 2026, a ENAP publicou editais de vagas adicionais e de recomposição de vagas remanescentes, que surgem quando aprovados desistem ou não tomam posse. Houve ainda divulgações de candidatos em situação sub judice, por decisões judiciais. Em outubro de 2026, um novo edital da ENAP anulou uma das recomposições anteriores, o que mostra que o processo segue ativo.
Dica: se você está na lista de espera, mantenha seus dados atualizados na Área do Candidato da FGV e acompanhe o Diário Oficial da União e os comunicados da ENAP, porque os prazos para manifestar interesse costumam ser curtos.
CNU 3: o que se sabe sobre a próxima edição
A ministra Esther Dweck afirmou que a terceira edição seria discutida em 2027 para ser incluída no orçamento de 2028. Em outras palavras, 2027 seria o ano de planejamento e 2028 o ano provável da prova. A própria ministra condicionou a continuidade do modelo às prioridades do governo eleito em outubro de 2026: se houver mudança de gestão, o formato poderá ser reavaliado.
Enquanto isso, o governo tem preferido usar os bancos de aprovados das edições anteriores e autorizar concursos específicos por órgão. O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê até 32 mil vagas no Executivo federal, parte delas para nomeação de aprovados em seleções já realizadas.
O que deve se manter em uma nova edição
- Provas aplicadas simultaneamente em todas as regiões.
- Organização por blocos temáticos, com escolha de cargos por preferência.
- Cotas e políticas de diversidade.
- Provas objetivas e discursivas, com possível avaliação de títulos.
- Banco de candidatos em lista de espera.
Concursos para estudar enquanto o CNU não vem
Quem se preparou para o CNU tem uma base sólida para outros concursos federais, que cobram conteúdos semelhantes. Entre os autorizados ou previstos estão:
| Concurso | Vagas | Salário inicial | Situação |
|---|---|---|---|
| Receita Federal | 146 | R$ 13.910,99 a R$ 24.113,71 | Autorizado |
| Banco Central | 170 | R$ 7.938,81 a R$ 20.924,80 | Autorizado |
| TCU | 100 | R$ 27.633,10 | Autorizado/anunciado |
| ANPD | 50 | R$ 17.726,42 | Autorizado |
| Agências reguladoras (ANTT, ANAC, ANEEL, ANP) | Centenas solicitadas | R$ 7.648,17 a R$ 16.413,35 | Solicitado |
Veja a lista completa em concursos federais previstos para 2026 e 2027.
Como estudar para o próximo CNU
1. Comece pelos conhecimentos gerais
Nas duas edições, todos os blocos tiveram uma parte comum, com língua portuguesa, realidade brasileira, administração pública, ética e políticas públicas. Esses conteúdos valem para qualquer bloco e também para outros concursos federais.
2. Escolha o bloco pela sua formação
Analise os cargos de cada bloco nos editais anteriores. Formados em TI e estatística tendem a se dar melhor no bloco de dados e tecnologia; engenheiros e arquitetos, no bloco de infraestrutura; profissionais de saúde, na seguridade social.
3. Treine a prova discursiva
A discursiva eliminou muitos candidatos bem colocados na objetiva. Pratique redações dissertativas sobre políticas públicas, com estrutura clara, argumentos e proposta.
4. Resolva provas das duas bancas
Como não se sabe qual banca organizará o CNU 3, resolva as provas da Cesgranrio (CNU 1) e da FGV (CNU 2).
5. Mantenha regularidade
Com a prova prevista para 2028, você tem tempo para uma preparação consistente. Monte um cronograma realista seguindo nosso guia de como montar um plano de estudos para concurso.
Como funciona a escolha de cargos e a lista de espera
Um dos pontos que mais geram dúvidas no CNU é a forma de classificação. Ao se inscrever, o candidato escolhe um único bloco e, dentro dele, ordena os cargos que deseja ocupar. A nota final é calculada com pesos que variam conforme o cargo, e o sistema distribui as vagas respeitando a classificação e a ordem de preferência de cada um.
Na prática, isso significa que um candidato pode não ser aprovado para sua primeira opção, mas ser classificado para a segunda ou terceira. Por isso, a ordem de preferência deve ser pensada com estratégia: colocar apenas cargos muito concorridos pode reduzir as chances de aprovação, enquanto incluir opções com menos concorrência amplia as possibilidades.
Os candidatos que atingem a nota mínima, mas ficam fora do número de vagas, entram no banco de lista de espera. Quando surgem desistências, exonerações ou novas vagas autorizadas, esses candidatos podem ser convocados. No CNU 2, a ENAP fez três rodadas de confirmação de interesse para organizar essa fila antes do resultado final.
Cotas e políticas de diversidade
O CNU adota reserva de vagas para pessoas com deficiência, pessoas negras, indígenas e quilombolas. Cada modalidade de concorrência tem nota mínima própria, e há também um mecanismo de nota mínima para ampliar a presença de mulheres entre os aprovados. Os candidatos que se autodeclaram negros, indígenas ou quilombolas passam por verificação complementar, e os candidatos com deficiência são avaliados por equipe multiprofissional com base em documentos enviados na inscrição.
Quem pretende concorrer pelas cotas deve separar com antecedência os documentos exigidos e acompanhar com atenção as convocações para as bancas de verificação, já que a ausência pode levar à eliminação da modalidade.
Erros que mais eliminaram candidatos
- Faltar à prova: a abstenção de 42,8% na objetiva do CNU 2 mostra quantos inscritos desistiram no caminho.
- Subestimar a discursiva: muitos candidatos bem colocados na objetiva perderam posições na redação.
- Perder prazos: confirmações de interesse e envio de títulos tinham datas curtas.
- Escolher cargos sem estratégia: ordenar preferências sem analisar a concorrência reduziu chances.
- Não acompanhar o Diário Oficial: convocações e editais complementares foram publicados ao longo de meses.
Onde acompanhar as novidades oficiais
As informações oficiais sobre o CNU são publicadas no Diário Oficial da União, no portal do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, nos comunicados da ENAP e na página da banca organizadora. Para o CNU 2, a Área do Candidato da FGV concentra resultados, convocações e documentos. Desconfie de mensagens em redes sociais que prometem vagas ou pedem pagamento para incluir seu nome em listas: a convocação é sempre pública e gratuita.
Perguntas frequentes
Vai ter CNU em 2026?
Não. Segundo a ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck, não haverá nova edição do Concurso Nacional Unificado em 2026. A expectativa é discutir a terceira edição em 2027 para incluí-la no orçamento de 2028.
Quando será o CNU 3?
A previsão citada pela ministra é 2028, com discussão orçamentária em 2027. A realização depende das prioridades do governo eleito em outubro de 2026.
O CNU 2 ainda está convocando aprovados?
Sim. Após o resultado final, a ENAP publicou editais de vagas adicionais e recomposição de vagas remanescentes ao longo de 2026, além da lista de espera. A validade do concurso permite novas convocações dentro do prazo previsto no edital.
Quantas pessoas se inscreveram no CNU 2?
O CNU 2 teve 761.528 inscritos, com abstenção de 42,8% na prova objetiva. Foram 42.499 candidatos classificados para a prova discursiva.
Quais eram os blocos do CNU 2?
Foram nove blocos temáticos: Seguridade Social; Cultura e Educação; Ciência, Dados e Tecnologia; Engenharia e Arquitetura; Administração; Desenvolvimento Socioeconômico; Justiça e Defesa; Intermediário Saúde; e Intermediário Regulação.
Como estudar para o próximo CNU?
Comece pelas disciplinas gerais cobradas em todos os blocos, como língua portuguesa, realidade brasileira, administração pública e políticas públicas, e escolha um bloco de acordo com sua formação. Use os editais e provas da FGV e da Cesgranrio como referência.
Conclusão
O CNU se consolidou como uma das maiores portas de entrada no serviço público federal, com mais de 10 mil vagas somadas nas duas primeiras edições. Em 2026, não haverá nova prova, mas o CNU 2 segue com convocações e a terceira edição está no radar para 2028. A melhor estratégia é usar esse intervalo para construir uma base forte em conhecimentos gerais, treinar a discursiva e aproveitar concursos federais específicos que já têm autorização.
Fontes e referências
- Estratégia Concursos: CNU 2026, nomeações e previsão para a próxima edição
- FGV Conhecimento: Concurso Público Nacional Unificado 2
- Agência Brasil: CNU 2025, 42,5 mil classificados para a prova discursiva
- Estratégia Concursos: Concursos Federais 2026/2027
- Direção Concursos: sem CNU em 2026, ministra anuncia excedentes
Conteúdo revisado pela redação do Vagas Trabalhador em 23 de outubro de 2026. As informações podem mudar; confira sempre a fonte oficial antes de tomar decisões.
