Atualizado em 23 de outubro de 2026

A Carteira de Trabalho Digital é o documento oficial que reúne todo o histórico profissional do trabalhador com carteira assinada no celular, com o mesmo valor legal da carteira de papel. Pelo aplicativo gratuito, disponível para Android e iPhone, é possível conferir contratos e salários, pedir o seguro-desemprego, consultar o abono salarial, contratar o Crédito do Trabalhador (consignado CLT) e procurar vagas do Sine. O acesso é feito com a conta gov.br, e o número da carteira é o próprio CPF. Neste guia completo, mostramos como baixar, cada funcionalidade e como resolver os problemas mais comuns.
Resumo rápido
- Gratuita, oficial e com o mesmo valor da carteira física desde 2019.
- Número da carteira = CPF; acesso com conta gov.br.
- Funções: contratos, salários, férias, seguro-desemprego, abono salarial, Crédito do Trabalhador e vagas.
- Dados enviados pelos empregadores ao eSocial.
- Guarde a carteira física se você tem vínculos antigos.
O que é a Carteira de Trabalho Digital
A Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) é o documento que registra a vida profissional do trabalhador formal no Brasil. Em 2019, a Lei nº 13.874, conhecida como Lei da Liberdade Econômica, determinou que a emissão passaria a ser preferencialmente eletrônica. Desde então, a Carteira de Trabalho Digital, desenvolvida pela Dataprev para o Ministério do Trabalho e Emprego, tem o mesmo valor legal da carteira azul de papel para a grande maioria dos trabalhadores.
Na prática, o trabalhador não precisa mais entregar a carteira física para a empresa anotar a contratação. O empregador informa a admissão, os salários, as férias e a demissão no eSocial, sistema oficial de escrituração das obrigações trabalhistas, e essas informações aparecem automaticamente no aplicativo. O número da carteira passou a ser o CPF do trabalhador.
Como baixar e acessar
- Abra a loja de aplicativos do celular (Google Play ou App Store).
- Busque por Carteira de Trabalho Digital e confira se o desenvolvedor é o governo federal (Dataprev).
- Instale e abra o aplicativo.
- Toque em Entrar com gov.br e informe CPF e senha da sua conta gov.br. Se não tiver conta, crie gratuitamente.
- Autorize o uso dos dados e pronto: seu histórico aparecerá na tela inicial.
Também é possível acessar pelo computador, no portal gov.br, buscando pelo serviço da Carteira de Trabalho Digital. Para funções mais sensíveis, mantenha sua conta gov.br em nível prata ou ouro, o que pode ser feito pelo aplicativo gov.br com reconhecimento facial ou validação por banco credenciado.
Principais funcionalidades
| Menu | O que você encontra |
|---|---|
| Contratos | Empresas, datas de admissão e demissão, cargo, salário contratual, alterações salariais, férias e afastamentos |
| Benefícios | Seguro-desemprego (solicitação e parcelas) e abono salarial (consulta e calendário) |
| Crédito do Trabalhador | Simulação e contratação de empréstimo consignado com desconto em folha |
| Vagas | Oportunidades de emprego cadastradas no Sine, com filtro por localidade e ocupação |
| Documentos | Envio da carteira em PDF para comprovar experiência |
Contratos e salários
Na aba de contratos, cada vínculo mostra o nome e o CNPJ da empresa, a data de admissão, o cargo segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), o salário contratual e as alterações ao longo do tempo. Também aparecem períodos de férias e a data de desligamento, quando houver.
Confira essas informações com frequência. Se o salário registrado for diferente do que você recebe, ou se a data de admissão estiver errada, procure o RH. Divergências podem afetar o cálculo de benefícios como seguro-desemprego, aposentadoria e FGTS. Você pode exportar a carteira em PDF para enviar a recrutadores como comprovação de experiência.
Benefícios: seguro-desemprego e abono salarial
Seguro-desemprego
Quem foi demitido sem justa causa pode solicitar o seguro-desemprego diretamente pelo aplicativo, do 7º ao 120º dia após a demissão, informando o número do requerimento entregue pelo empregador. Em 2026, as parcelas variam de R$ 1.621 a R$ 2.518,65. Veja o passo a passo e a tabela completa em seguro-desemprego 2026: valor, parcelas e como pedir.
Abono salarial (PIS/Pasep)
O abono salarial é pago a trabalhadores que receberam, em média, até o limite de renda definido na regra do benefício no ano-base e que cumprem os demais requisitos, como estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos e ter trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias no ano. No aplicativo, você consulta se tem direito, o valor e a data de pagamento, que segue o calendário anual definido pelo governo.
Crédito do Trabalhador (consignado CLT)
Lançado em 2025, o Crédito do Trabalhador permite que empregados com carteira assinada, inclusive domésticos e trabalhadores rurais, contratem empréstimo consignado pela própria Carteira de Trabalho Digital. As parcelas são descontadas diretamente do salário, e parte do FGTS pode ser oferecida como garantia, o que tende a reduzir os juros em comparação com crédito pessoal sem garantia.
Como funciona
- No aplicativo, acesse Crédito do Trabalhador e autorize o compartilhamento dos seus dados de vínculo e salário com instituições financeiras.
- Informe o valor desejado e aguarde as propostas dos bancos habilitados, que chegam em até 24 horas.
- Compare taxa de juros, número de parcelas e Custo Efetivo Total.
- Escolha a melhor oferta e finalize a contratação no canal do banco.
A soma das parcelas de consignado pode comprometer até 35% do salário, segundo as regras divulgadas. Se você mudar de emprego, o desconto pode migrar para o novo vínculo. Use com cautela: empréstimo é dívida, e o ideal é contratá-lo para trocar dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial, e não para consumo.
Vagas de emprego no aplicativo
A Carteira de Trabalho Digital também mostra vagas cadastradas no Sistema Nacional de Emprego (Sine). É possível filtrar por cidade e ocupação, ver requisitos e salários e manifestar interesse. Para aumentar suas chances, combine o aplicativo com outras plataformas, como explicamos em onde encontrar vagas de emprego.
Problemas comuns e soluções
| Problema | O que fazer |
|---|---|
| Contrato atual não aparece | Peça ao RH para confirmar o envio da admissão ao eSocial |
| Vínculos antigos não aparecem | Contratos anteriores ao eSocial podem não constar; guarde a carteira física e documentos |
| Salário ou cargo errado | Solicite correção à empresa, que deve retificar no eSocial |
| Não consigo entrar | Recupere a senha do gov.br e atualize o aplicativo |
| Função bloqueada | Eleve o nível da conta gov.br para prata ou ouro |
| Demissão não registrada | Cobre a empresa; sem o registro, o seguro-desemprego pode ser negado |
Segurança e golpes
- Baixe o aplicativo apenas nas lojas oficiais.
- Nunca informe sua senha gov.br a terceiros, mesmo que digam ser do governo ou de bancos.
- Desconfie de mensagens com links para “liberar valores” da carteira de trabalho.
- Ative a verificação em duas etapas na conta gov.br.
- Ao contratar crédito, confira se o banco está habilitado e se a proposta aparece no próprio aplicativo.
Da carteira de papel ao aplicativo
A carteira de trabalho existe no Brasil desde a década de 1930 e se tornou um dos documentos mais importantes da vida do trabalhador, servindo para comprovar experiência, renda e tempo de contribuição. Durante décadas, cada contratação, aumento e férias era anotado à mão pela empresa. Em 2017, foi lançado o aplicativo, inicialmente como uma versão de consulta. Com a Lei da Liberdade Econômica, em 2019, a versão digital passou a ser a regra, e a emissão da carteira física deixou de ser necessária para a maioria das pessoas.
A mudança trouxe vantagens: menos burocracia na contratação, menos risco de perda ou extravio do documento e acesso rápido às informações. Por outro lado, exige atenção do trabalhador para conferir se a empresa está enviando os dados corretamente ao eSocial.
Ainda preciso da carteira física?
Para novos contratos, não. Mas a carteira de papel continua importante para comprovar vínculos antigos, principalmente os anteriores à implantação completa do eSocial, que ocorreu de forma gradual entre 2018 e 2022 conforme o porte das empresas. Esses registros podem ser necessários para comprovar tempo de contribuição na aposentadoria pelo INSS. Por isso, não jogue fora sua carteira física: guarde-a em local seguro e, se possível, digitalize as páginas com anotações.
Dicas para quem vai ter o primeiro emprego
- Crie sua conta gov.br antes da contratação e baixe o aplicativo.
- Informe seu CPF à empresa; não é preciso emitir carteira física.
- Depois de alguns dias da admissão, confira se o contrato aparece no aplicativo com o cargo e o salário combinados.
- Acompanhe também os depósitos do FGTS pelo aplicativo FGTS, da Caixa.
- Guarde contracheques e o contrato de trabalho em pasta digital.
Se você é jovem e procura a primeira oportunidade, veja nosso guia do Jovem Aprendiz 2026.
Como a carteira digital ajuda a garantir seus direitos
As informações registradas na Carteira de Trabalho Digital alimentam o cálculo de diversos direitos: o valor do seguro-desemprego depende dos últimos salários; o abono salarial considera a renda e o tempo trabalhado no ano-base; e a aposentadoria pelo INSS usa o histórico de vínculos e remunerações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Um salário registrado abaixo do valor real ou um período sem registro podem reduzir benefícios no futuro. Por isso, conferir o aplicativo periodicamente e cobrar correções da empresa é uma forma simples de proteger seu patrimônio de trabalhador.
Em caso de divergência que a empresa se recuse a corrigir, o trabalhador pode procurar o sindicato da categoria, registrar denúncia no Ministério do Trabalho e Emprego ou buscar a Justiça do Trabalho, levando contracheques, contratos, mensagens e outros documentos que comprovem a situação real.
Carteira digital e a nova jornada de trabalho
Com o fim da escala 6×1, promulgado em 16 de outubro de 2026, a jornada máxima cai para 42 horas semanais a partir de 15 de dezembro e para 40 horas em dezembro de 2027, sem redução salarial. A Carteira de Trabalho Digital mostra o salário contratual registrado pela empresa, o que ajuda a conferir se ele permaneceu o mesmo depois da mudança. Guarde também os registros de ponto e contracheques, que mostram as horas efetivamente trabalhadas. Entenda as novas regras em fim da escala 6×1: o que muda.
Outra dica é usar a função de exportar a carteira em PDF sempre que trocar de emprego, mantendo uma cópia atualizada do seu histórico profissional para processos seletivos e para conferências futuras junto ao INSS.
Trabalhadores domésticos
Empregados domésticos com carteira assinada também têm seus contratos registrados na Carteira de Trabalho Digital. O empregador doméstico informa a admissão, os salários e a demissão pelo eSocial Doméstico, o mesmo sistema usado para gerar a guia mensal de recolhimentos. Assim, o trabalhador doméstico pode conferir seu histórico, pedir o seguro-desemprego no prazo de 7 a 90 dias após a demissão e acessar o Crédito do Trabalhador pelo aplicativo.
Perguntas frequentes
A Carteira de Trabalho Digital substitui a física?
Sim. Desde 2019, com a Lei da Liberdade Econômica, a Carteira de Trabalho Digital tem o mesmo valor legal da física para a maioria dos trabalhadores. O número da carteira passou a ser o CPF, e as informações são enviadas pelos empregadores ao eSocial.
Como baixar a Carteira de Trabalho Digital?
O aplicativo é gratuito e está disponível na Google Play e na App Store com o nome Carteira de Trabalho Digital. O acesso é feito com a conta gov.br. Também é possível consultar pelo portal gov.br no computador.
O que fazer se meu contrato não aparece no aplicativo?
Os dados são enviados pela empresa ao eSocial. Se um vínculo atual não aparece, cobre o RH. Vínculos antigos, anteriores ao eSocial, podem não constar; nesse caso, guarde a carteira física e os documentos do contrato.
Posso pedir o seguro-desemprego pela Carteira de Trabalho Digital?
Sim. No menu Benefícios, é possível solicitar o seguro-desemprego, acompanhar o pedido e consultar as parcelas, informando o número do requerimento fornecido pelo empregador.
O que é o Crédito do Trabalhador?
É o empréstimo consignado para trabalhadores com carteira assinada contratado pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, com desconto das parcelas diretamente no salário e possibilidade de usar parte do FGTS como garantia.
Preciso ter nível prata ou ouro no gov.br?
Algumas funções sensíveis, como contratação de crédito, podem exigir conta gov.br com nível de segurança mais alto. Você pode elevar o nível pelo aplicativo gov.br com reconhecimento facial ou validação bancária.
Conclusão
A Carteira de Trabalho Digital centraliza no celular tudo o que o trabalhador formal precisa: histórico de contratos, salários, benefícios, crédito consignado e vagas de emprego. Baixe o aplicativo, entre com sua conta gov.br e confira seus dados regularmente. Manter as informações corretas garante seus direitos na demissão, na aposentadoria e na hora de pedir benefícios.
Fontes e referências
- Google Play: Carteira de Trabalho Digital
- Na Prática: Carteira de Trabalho Digital, como acessar e utilizar em 2026
- Agibank: Carteira de Trabalho Digital 2026
- Planalto: Lei nº 13.874/2019 (Liberdade Econômica)
Conteúdo revisado pela redação do Vagas Trabalhador em 23 de outubro de 2026. As informações podem mudar; confira sempre a fonte oficial antes de tomar decisões.
