Mercado de trabalho em 2026: desemprego, Caged e onde estão as vagas

Desemprego cai para 5,3% e Brasil bate recorde de 103,5 milhões de ocupados. Veja dados do IBGE e do Caged 2026, setores que mais contratam e salários.

Atualizado em 23 de outubro de 2026

Gráfico de barras em alta representando o mercado de trabalho em 2026

O mercado de trabalho brasileiro vive um dos melhores momentos da série histórica em 2026. A taxa de desocupação caiu para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o país bateu recorde de 103,5 milhões de pessoas ocupadas e o emprego com carteira assinada acumulou mais de 1,13 milhão de novos postos de janeiro a agosto. Por outro lado, a informalidade segue alta, há grandes diferenças entre estados e o ritmo de criação de vagas formais é menor que em anos anteriores. Neste panorama, reunimos os números oficiais mais recentes do IBGE e do Ministério do Trabalho e explicamos o que eles significam para quem procura emprego.

Resumo rápido

  • Desemprego: 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026 (PNAD Contínua/IBGE).
  • Ocupados: 103,5 milhões, maior número desde 2012.
  • Empregos formais: +1.134.033 de janeiro a agosto de 2026 (Novo Caged).
  • Salário médio de admissão: R$ 2.410,74 em agosto de 2026.
  • Informalidade: 37,4% dos ocupados no 2º trimestre de 2026.

Taxa de desemprego em 2026

A PNAD Contínua, pesquisa domiciliar do IBGE, é a fonte oficial da taxa de desemprego no Brasil. No trimestre de junho a agosto de 2026, a taxa de desocupação ficou em 5,3%, queda de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio (5,6%) e também abaixo dos 5,6% do mesmo período de 2025.

O número de desocupados, pessoas que procuraram trabalho e não encontraram, caiu para 5,8 milhões, redução de cerca de 281 mil pessoas no trimestre. Já a população ocupada chegou a 103,5 milhões, o maior contingente da série iniciada em 2012, com alta de aproximadamente 1,1 milhão de pessoas em um ano. A força de trabalho total também bateu recorde, com 109,3 milhões de pessoas.

Indicador (PNAD Contínua) Resultado Período
Taxa de desocupação 5,3% Jun a ago/2026
Pessoas ocupadas 103,5 milhões Jun a ago/2026
Pessoas desocupadas 5,8 milhões Jun a ago/2026
Empregados com carteira no setor privado 39,5 milhões Jun a ago/2026
Empregados sem carteira no setor privado 13,7 milhões Jun a ago/2026
Rendimento médio real habitual R$ 3.777 Jun a ago/2026

No início do ano, a desocupação havia subido para 6,1% no primeiro trimestre, movimento sazonal comum depois das contratações temporárias de fim de ano. Desde então, a taxa recuou de forma consistente: 5,4% no segundo trimestre e 5,3% no trimestre até agosto. Esse comportamento repete o padrão dos últimos anos, em que o desemprego sobe nos primeiros meses e cai ao longo do segundo semestre, quando a economia aquece e o comércio se prepara para as vendas de fim de ano.

Emprego com carteira assinada: o que diz o Novo Caged

O Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), registra todas as admissões e demissões formais informadas pelas empresas. Em agosto de 2026, o país gerou 165.827 empregos com carteira assinada, resultado de 2.294.563 admissões e 2.128.736 desligamentos.

No acumulado de janeiro a agosto, o saldo foi de 1.134.033 postos, crescimento de 2,41% no estoque de vínculos. Em 12 meses (setembro de 2025 a agosto de 2026), o saldo foi de 887.708 vagas. O estoque total de empregos formais chegou a 48.244.696 vínculos.

Apesar dos números positivos, análises de economistas, como as do FGV Ibre, apontam que o acumulado de 2026 é o mais fraco desde 2020 para o período, sinal de que o mercado formal cresce, mas em ritmo mais moderado. Isso ajuda a explicar por que a disputa por boas vagas continua intensa em muitas áreas, mesmo com o desemprego baixo.

Setores que mais contratam

Todos os cinco grandes grupos de atividade tiveram saldo positivo em agosto de 2026. Veja o desempenho no mês e no acumulado do ano:

Setor Saldo em agosto/2026 Acumulado jan-ago/2026 Variação no ano
Serviços +110.346 +697.859 +3,05%
Construção +20.848 +200.431 +6,79%
Indústria +16.613 +170.442 +1,90%
Comércio +16.565 +9.300 +0,09%
Agropecuária +1.452 +56.024 +3,09%

Dois destaques chamam atenção. Primeiro, os serviços responderam por cerca de dois em cada três empregos criados em agosto, puxados por atividades como saúde, educação, tecnologia, logística e serviços administrativos. Segundo, a construção civil é o setor que mais cresce proporcionalmente, com alta de 6,79% no estoque, impulsionada por obras de infraestrutura e habitação. Já o comércio praticamente não cresceu no acumulado do ano, mas costuma ganhar fôlego no último trimestre com as contratações temporárias de fim de ano.

Diferenças entre estados

O Brasil tem realidades muito distintas. No segundo trimestre de 2026, a desocupação caiu em 13 das 27 unidades da federação e ficou estável nas demais, segundo o IBGE. O Rio Grande do Norte teve a maior queda, de 1,9 ponto percentual.

Menores taxas de desocupação Taxa Maiores taxas de desocupação Taxa
Santa Catarina 2,1% Amapá 9,8%
Mato Grosso 2,2% Bahia 9,1%
Espírito Santo 2,3% Pernambuco 8,3%
Rondônia 2,6% Piauí 8,3%
Mato Grosso do Sul 2,7% Sergipe 7,9%

No emprego formal, São Paulo lidera em números absolutos, com 306.883 vagas criadas de janeiro a agosto, seguido por Minas Gerais (123.176) e Rio de Janeiro (77.670). Proporcionalmente, os maiores crescimentos foram do Amapá (+6,30%), Piauí (+4,27%) e Acre (+4,09%). Em agosto, todos os estados tiveram saldo positivo, com destaque para São Paulo (+42.533), Rio de Janeiro (+20.886) e Pernambuco (+13.428).

Quem está sendo contratado

Os dados do Caged de agosto de 2026 mostram um perfil claro das contratações formais:

  • Jovens: trabalhadores de até 24 anos responderam por 128.997 do saldo do mês, a grande maioria das vagas. Programas como o Jovem Aprendiz contribuíram, com 17.637 novos aprendizes.
  • Mulheres: saldo de 83.989 vagas, ligeiramente acima dos homens (81.838).
  • Escolaridade: quem tem ensino médio completo ficou com 100.939 vagas, a maior fatia.
  • Vínculos não típicos: 26,5% do saldo veio de contratos como jornada parcial de até 30 horas e aprendizagem.

Na PNAD, a escolaridade faz diferença enorme: a desocupação é de 9,0% entre quem tem ensino médio incompleto e de apenas 3,0% entre quem tem ensino superior completo. Também persistem desigualdades: a taxa é de 4,6% entre homens e 6,4% entre mulheres; 4,2% entre brancos, 6,1% entre pardos e 6,9% entre pretos.

Renda e salários

O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos chegou a R$ 3.777 no trimestre até agosto de 2026, alta de 3,7% em um ano, segundo o IBGE. A massa de rendimentos, soma de tudo o que os trabalhadores recebem, atingiu R$ 385,6 bilhões, o maior valor da série.

Para quem está sendo contratado agora, a referência é outra: o salário médio real de admissão no emprego formal foi de R$ 2.410,74 em agosto de 2026, alta de 1,02% sobre agosto de 2025. O salário mínimo nacional em 2026 é de R$ 1.621. A diferença entre o rendimento médio geral e o salário de admissão é natural: quem entra em uma empresa costuma começar ganhando menos do que profissionais com mais tempo de casa.

Informalidade e subutilização

Mesmo com o desemprego baixo, a qualidade do emprego ainda é um desafio. No segundo trimestre de 2026, 37,4% dos ocupados estavam na informalidade, sem carteira assinada, sem CNPJ ou sem contribuição previdenciária. A taxa passa de 50% no Maranhão (56,9%), Pará (55,9%) e Amazonas (51,7%), enquanto fica em 25,4% em Santa Catarina.

A taxa composta de subutilização, que soma desocupados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e a força de trabalho potencial, foi de 12,9%. Os desalentados, que desistiram de procurar emprego, representavam 2,1% da força de trabalho ampliada. Um dado positivo: o número de pessoas procurando trabalho há dois anos ou mais caiu 15,6% em um ano, para 1,1 milhão.

Como os números são calculados

Entender a origem dos dados evita confusões comuns. A PNAD Contínua entrevista moradores de cerca de 211 mil domicílios por trimestre em todo o país. É considerada desocupada a pessoa de 14 anos ou mais que não trabalhou na semana de referência, procurou emprego nos 30 dias anteriores e estava disponível para começar. Quem não procurou não entra na conta de desempregados, e sim na de fora da força de trabalho ou desalentados. Por isso a taxa pode cair mesmo quando poucas vagas são criadas.

O Novo Caged não é uma pesquisa, e sim um registro administrativo. Ele é alimentado pelas empresas por meio do eSocial e mostra apenas o emprego com carteira assinada. O “saldo” é a diferença entre admissões e desligamentos no período. Como cobre só o mercado formal, ele não capta trabalhadores por conta própria, MEIs ou informais. As duas fontes se complementam: a PNAD mostra a foto do mercado inteiro, e o Caged mostra o movimento das vagas formais mês a mês.

Tendências para o fim de 2026 e para 2027

Fim da escala 6×1

A promulgação da emenda que acaba com a escala 6×1, em 16 de outubro de 2026, deve mexer com o mercado. A partir de 15 de dezembro, a jornada máxima cai para 42 horas com escala 5×2 e, em dezembro de 2027, para 40 horas. Setores que funcionam todos os dias podem precisar de mais funcionários. Veja todos os detalhes em fim da escala 6×1: o que muda.

Contratações temporárias

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil prevê cerca de 129,6 mil vagas temporárias no comércio e serviços para o fim de 2026, com salário médio de R$ 1.805.

Concursos públicos

O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê até 32 mil vagas no serviço público federal, e há editais autorizados para Receita Federal, Banco Central e outros órgãos. Confira a lista em concursos federais previstos para 2026 e 2027.

Tecnologia e inteligência artificial

O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das habilidades exigidas no trabalho vão mudar até 2030. Saiba quais carreiras crescem em profissões em alta até 2030.

Como aproveitar o bom momento do mercado

  1. Atualize o currículo e cadastre-se nas principais plataformas. Veja nosso guia de onde encontrar vagas de emprego.
  2. Mire nos setores que crescem: serviços, construção civil, saúde, logística e tecnologia.
  3. Invista em escolaridade: terminar o ensino médio ou um curso técnico reduz muito o risco de desemprego. Há opções sem custo em nosso guia de cursos gratuitos.
  4. Considere vagas temporárias como porta de entrada.
  5. Use a Carteira de Trabalho Digital para acompanhar seus vínculos e benefícios.
  6. Avalie mudar de região se você mora em estado com desemprego alto e tem flexibilidade.
  7. Negocie com dados: use o salário médio de admissão da sua área como referência na entrevista.

Perguntas frequentes

Qual é a taxa de desemprego no Brasil em 2026?

Segundo a PNAD Contínua do IBGE, a taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre de junho a agosto de 2026, abaixo dos 5,6% registrados no mesmo período de 2025.

Quantos empregos com carteira assinada foram criados em 2026?

De janeiro a agosto de 2026, o Novo Caged registrou saldo positivo de 1.134.033 empregos formais, alta de 2,41% no estoque. Só em agosto foram 165.827 vagas.

Qual é o salário médio de admissão em 2026?

O salário médio real de admissão foi de R$ 2.410,74 em agosto de 2026, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, alta de 1,02% em relação a agosto de 2025.

Qual setor mais contrata em 2026?

O setor de serviços lidera, com 697.859 vagas formais no acumulado de janeiro a agosto. Em termos proporcionais, a construção civil cresce mais rápido, com alta de 6,79% no estoque.

Quais estados têm menor desemprego?

No segundo trimestre de 2026, as menores taxas foram de Santa Catarina (2,1%), Mato Grosso (2,2%) e Espírito Santo (2,3%). As maiores ficaram no Amapá (9,8%), Bahia (9,1%) e Pernambuco e Piauí (8,3%).

Qual a diferença entre PNAD e Caged?

A PNAD Contínua, do IBGE, é uma pesquisa domiciliar que mede todo o mercado, formal e informal, e calcula a taxa de desemprego. O Novo Caged, do Ministério do Trabalho, registra admissões e demissões com carteira assinada informadas pelas empresas.

Quando sai a próxima divulgação dos dados?

O IBGE divulga a PNAD Contínua mensal no fim de cada mês, sempre com dados do trimestre móvel encerrado no mês anterior. O Novo Caged costuma ser divulgado pelo MTE no fim do mês seguinte ao de referência.

Conclusão

Os números de 2026 mostram um mercado de trabalho com desemprego historicamente baixo, recorde de ocupados e renda em alta. O emprego formal continua crescendo, embora em ritmo mais lento, e os serviços e a construção civil seguem como principais motores. Os desafios permanecem na informalidade e nas desigualdades regionais, de gênero e de cor. Para o trabalhador, o recado é claro: há oportunidades, principalmente para quem se qualifica e acompanha as tendências. Vamos atualizar este panorama a cada nova divulgação do IBGE e do Ministério do Trabalho.

Fontes e referências

Conteúdo revisado pela redação do Vagas Trabalhador em 23 de outubro de 2026. As informações podem mudar; confira sempre a fonte oficial antes de tomar decisões.